Banner do III Congresso Internacional sobre Violência de Gênero (CIVIGE), realizado nos dias 16 e 17 de março, com destaque para ações estratégicas, políticas públicas e tecnologias, no Superior Tribunal Militar (STM)

III CIVIGE: primeiro dia do congresso destaca tecnologias, políticas públicas e atuação intersetorial no enfrentamento à violência de gênero

No dia 16 de março, teve início o III Congresso Internacional sobre Violência de Gênero: ações estratégicas, políticas públicas e tecnologias (III CIVIGE), realizado em Brasília, no auditório do Superior Tribunal Militar. O evento também contou com transmissão online pela plataforma Zoom, ampliando o alcance das discussões.

A programação do primeiro dia reuniu autoridades, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas para debater caminhos concretos no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, com destaque para o papel da tecnologia, do Judiciário e da produção científica.

Abertura institucional destaca avanços e desafios no enfrentamento à violência de gênero

Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo fala em um púlpito preto durante o CIVIGE 2026. O monitor do púlpito e o grande painel de LED ao fundo exibem o logotipo do evento e informações sobre o congresso, incluindo um código QR.

Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo realiza abertura do III CIVIGE. Foto: STM

A abertura do evento foi conduzida pelo vice-presidente do STM, Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo, que ressaltou a relevância do congresso no fortalecimento das instituições e das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo cumprimenta autoridades durante o III CIVIGE 2026

Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo. Foto: STM

Na sequência, a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, trouxe uma reflexão ampla sobre os avanços e desafios no enfrentamento à violência de gênero no Brasil. Em sua fala, destacou o simbolismo da realização do congresso no Superior Tribunal Militar, mencionando marcos históricos relacionados à presença feminina em espaços de poder.

A Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, discursa em um palco de auditório, atrás de um púlpito com a tela 'CIVIGE 2026'. Uma plateia está sentada em primeiro plano e a parede de fundo tem ripas de madeira.

Ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Foto: STM

Márcia Lopes ressaltou o reconhecimento internacional da Lei Maria da Penha como referência global, enfatizando seu papel na transformação da violência doméstica de uma questão privada para uma violação de direitos humanos que exige resposta firme do Estado. 

A ministra ainda abordou a importância da solidariedade entre mulheres, especialmente em contextos de vulnerabilidade, e reforçou a necessidade de políticas públicas intersetoriais, envolvendo áreas como saúde, educação e cultura. Por fim, mencionou iniciativas como o Ligue 180 e o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio como instrumentos fundamentais nessa agenda.

Conferência de abertura reforça cooperação internacional e representatividade

A conferência de abertura contou com a participação do Prof. José Macêdo, coordenador do Insight Data Science Lab, e da embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies.

Uma fotografia do palco de uma conferência com Sophie Davies, Embaixadora da Austrália, sentada em uma poltrona branca, e José Macêdo, coordenador do Insight Lab, de pé atrás de um púlpito. Uma grande tela de LED ao fundo exibe o logotipo "CIVIGE 2026" e um texto biográfico sobre Macêdo. Davies está à esquerda e Macêdo à direita, com uma plateia visível em primeiro plano.

Sophie Davies, Embaixadora da Austrália, e José Macêdo, coordenador do Insight Lab, durante a conferência de abertura do CIVIGE 2026. Foto: STM

 

O Prof. José Macêdo sorri enquanto fala atrás de um púlpito preto durante o III CIVIGE 2026. Ele veste terno escuro e usa um crachá de identificação. O monitor acoplado ao púlpito exibe o logotipo do evento, com um fundo de ripas de madeira ao lado.

Prof. José Macêdo, durante a conferência de abertura do III CIVIGE. Foto: STM

 

A Embaixadora da Austrália, Sophie Davies, discursa em um púlpito preto. O monitor integrado ao púlpito exibe o logotipo "CIVIGE 2026". Ela veste um blazer branco e uma blusa estampada contra um fundo de madeira ripada.

Embaixadora da Austrália, Sophie Davies. Foto: STM

Durante sua fala, Sophie Davies destacou a importância da representatividade feminina ao mencionar sua trajetória como a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora da Austrália no Brasil em 80 anos.

A embaixadora também reforçou o compromisso internacional com a promoção dos direitos de mulheres e meninas, destacando o enfrentamento à violência de gênero como uma pauta global. Além disso, compartilhou aspectos do contexto australiano.

Tecnologia e direito em foco no enfrentamento à violência

O Painel 1, dedicado às tecnologias e políticas públicas no enfrentamento à violência de gênero, reuniu especialistas para discutir o papel da inovação e do direito nesse contexto.

A foto mostra o Dr. Flávio Henrique Albuquerque de Freitas, Juiz Auxiliar da Presidência, discursando atrás de um púlpito preto com uma tela que exibe o logotipo roxo e branco "CIVIGE". Ele veste terno preto, camisa branca e uma gravata amarela brilhante, falando ao microfone contra um fundo de parede de madeira ripada, com silhuetas desfocadas da plateia em primeiro plano.

Dr. Flávio Henrique Albuquerque de Freitas (Juiz Auxiliar da Presidência) preside o painel 1. Foto: STM

O Prof. José Macêdo destacou que a tecnologia deve ser compreendida como uma ferramenta a serviço das políticas públicas e do cuidado humano, e não como um fim em si mesma. Em sua abordagem, enfatizou a necessidade de integrar soluções tecnológicas a estratégias mais amplas de proteção, prevenção e resposta à violência, sem substituir a escuta qualificada e o atendimento humanizado. Também alertou para os riscos associados ao uso de inteligência artificial, especialmente no que diz respeito à reprodução de vieses algorítmicos que podem perpetuar desigualdades existentes.

Já o professor Hélio Gustavo Alves trouxe uma perspectiva jurídica e social, destacando a importância de ações imediatas para garantir a segurança das vítimas. Em sua fala, abordou direitos trabalhistas ainda pouco conhecidos, como o artigo 473 da CLT, que prevê a possibilidade de a mulher vítima de violência trabalhar em casa ou se afastar do trabalho por até 6 meses com remuneração garantida.

O Dr. Hélio Gustavo Alves participou do III CIVIGE. Foto: STM

O palestrante também ressaltou que, embora o Brasil possua avanços normativos importantes, há um grande desconhecimento desses direitos por parte das mulheres, o que evidencia a necessidade de maior divulgação e conscientização.

Judiciário e acesso à justiça com perspectiva de gênero

O Painel 2 abordou as transformações do Judiciário no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. Um dos pontos debatidos foi a importância de uma atuação mais sensível às questões de gênero.

A Dr.ª Amini Haddad, Juíza Auxiliar e Coordenadora do Observatório Pró-Equidade do STM, discursa atrás de um púlpito preto com uma tela de LED que exibe o logotipo "CIVIGE 2026". Ela veste uma roupa azul-marinho e fala ao microfone.

Dr.ª Amini Haddad (Juíza Auxiliar e Coordenadora do Observatório Pró-Equidade do Superior Tribunal Militar) preside o painel 2. Foto: STM

A juíza Patrícia Sant’Anna destacou a relevância da Resolução 492 do CNJ, que institui o protocolo de julgamento com perspectiva de gênero, como um instrumento fundamental para garantir decisões mais justas e contextualizadas. Em sua fala, apresentou exemplos práticos da Justiça do Trabalho envolvendo casos de discriminação e violência, evidenciando a necessidade de responsabilização institucional.

A Dr.ª Patrícia Sant’Anna, Juíza do Trabalho do TRT 12, discursa em um púlpito preto durante o CIVIGE 2026. Ela usa óculos de armação lilás e um vestido colorido com estampa floral, segurando uma cartilha sobre Violência Doméstica para a plateia. Ao fundo, uma parede de ripas de madeira e, no púlpito, um monitor exibe o logotipo do evento.

Dr.ª Patrícia Sant’Anna (Juíza do Trabalho do TRT 12). Foto: STM

A especialista Teresa Cristina Cabral Santana reforçou a importância de fortalecer a articulação entre o Judiciário e a rede de enfrentamento, destacando que o acesso à justiça deve ser qualificado e livre de revitimização. 

A Dr.ª Teresa Cristina apontou a Lei Maria da Penha e diretrizes internacionais como pilares fundamentais para orientar a atuação institucional.

Uma captura de tela de videoconferência mostra a Dr.ª Teresa Cristina Cabral Santana (Ouvidoria da Secretaria-Geral da Presidência do TSE) em um grande monitor de LED no palco do III CIVIGE. Ela tem cabelos castanhos ondulados. Ela veste uma blusa escura e um casaco cinza claro.

Dr.ª Teresa Cristina Cabral Santana (Ouvidoria da Secretaria-Geral da Presidência do TSE). Foto: STM

Pesquisa científica como base para políticas públicas

O Painel 3 evidenciou o papel da pesquisa científica na formulação de políticas públicas mais eficazes.

A Dr.ª Maria Teresa Prado, à direita, discursa em um púlpito preto durante o CIVIGE 2026, vestindo uma blusa preta com poás brancos. À esquerda, a Dr.ª Jaquelline Santos Silva observa sentada em uma poltrona branca, usando um xale cinza. Ao fundo, um painel de LED exibe uma transmissão de vídeo e o nome "Teresa", enquanto o monitor do púlpito mostra o logotipo do evento e instruções para envio de perguntas.

Da esquerda para a direita: Dr.ª Jaquelline Santos Silva (Juíza-Auxiliar da Presidência) e Dr.ª Maria Teresa Prado (Coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência (OVM) do Senado Federal). Foto: STM

A pesquisadora Maria Teresa Prado apresentou dados que revelam um cenário preocupante no Brasil, marcado pelo desconhecimento sobre a Lei Maria da Penha e pela baixa adesão a medidas protetivas. Em sua análise, destacou que, embora a lei seja amplamente conhecida pelo nome, muitas mulheres não compreendem seus mecanismos de proteção, o que impacta diretamente na busca por ajuda. A congressista enfatizou ainda a importância de dados qualificados para orientar decisões públicas baseadas em evidências.

Dr.ª Maria Teresa Prado (Coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência (OVM) do Senado Federal). Foto: STM

Já a procuradora Carla Pinheiro Bessa Von Bentzen Rodrigues enfatizou a necessidade de institucionalizar políticas públicas, reduzindo a dependência de iniciativas individuais e garantindo maior continuidade e efetividade das ações.

A Dr.ª Carla Pinheiro Bessa Von Bentzen Rodrigues, Procuradora do Estado de Goiás, discursa atrás de um púlpito preto. O monitor do púlpito exibe o logotipo 'CIVIGE 2026' e o e-mail 'contact@insightlab.ufc.br' para perguntas. Ela veste camisa branca e saia longa preta com óculos de armação clara contra um fundo de madeira ripada.

Dr.ª Carla Pinheiro Bessa Von Bentzen Rodrigues (Procuradora do Estado de Goiás). Foto: STM

Também reforçou a importância de ampliar o conhecimento das vítimas sobre seus direitos e de utilizar diagnósticos e indicadores para aprimorar estratégias de enfrentamento à violência.

Três mulheres sorrindo em um palco de conferência, de pé em frente a uma grande tela de LED azul que exibe o logotipo "CIVIGE 2026" e o texto "III Congresso Internacional sobre Violência de Gênero". Da esquerda para a direita estão: Dr.ª Maria Teresa Prado, usando uma blusa preta de bolinhas brancas e calças escuras; Dr.ª Jaquelline Santos Silva, usando um vestido longo vermelho com um xale cinza; e Dr.ª Carla Pinheiro Bessa Von Bentzen Rodrigues, usando uma camisa branca e uma saia de couro preta. Uma poltrona branca moderna está à direita.

Da esquerda para a direita: Dr.ª Maria Teresa Prado, Dr.ª Jaquelline Santos Silva e Dr.ª Carla Pinheiro Bessa Von Bentzen Rodrigues. Foto: STM

Ações intersetoriais e uso de dados no enfrentamento à violência

O Painel 4 trouxe discussões sobre estratégias práticas e intersetoriais no enfrentamento à violência de gênero.

A Dr.ª Tânia Regina Silva Reckziegel, Desembargadora e Juíza Auxiliar da Presidência, discursa em pé atrás de um púlpito preto. Ela está segurando e olhando para folhas de papel em suas mãos. Ela veste uma camisa de manga longa estampada, com detalhes em branco e marrom, e óculos de armação clara. O monitor do púlpito exibe o logotipo do evento CIVIGE sobre um fundo roxo e azul. O fundo da imagem é uma parede de ripas de madeira verticais.

Dr.ª Tânia Regina Silva Reckziegel (Desembargadora e Juíza Auxiliar da Presidência) preside o painel 4. Foto: STM

O delegado Sérgio Bautzer compartilhou sua experiência no atendimento a casos de violência doméstica. Ele destacou a importância de procedimentos iniciais que garantam segurança e acolhimento às vítimas, como a separação imediata do agressor e a avaliação da necessidade de atendimento médico. Também abordou a complexidade dos diferentes tipos de violência previstos na legislação brasileira.

Dr. Sérgio Bautzer, Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), sentado em uma poltrona branca moderna em um palco. Ele está vestido com um terno cinza-chumbo, camisa social branca e uma gravata com listras diagonais, segurando um microfone na mão direita enquanto fala e gesticula com a mão esquerda. Atrás dele, há uma grande tela de LED. Ao lado esquerdo, há uma pequena mesa auxiliar com dois copos de água. O palco tem piso cinza.

Dr. Sérgio Bautzer (Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal – PCDF). Foto: STM

O juiz Tiago Dias da Silva destacou o papel do monitoramento eletrônico e da análise de dados na prevenção de feminicídios. Também chamou atenção para os desafios enfrentados em regiões do interior, onde os índices de violência têm crescido.

Dr. Tiago Dias da Silva, Juiz de Direito do TJCE, sentado em uma poltrona branca moderna em um palco durante uma conferência. Ele veste um terno cinza-chumbo, camisa social branca e uma gravata marrom com listras diagonais, segurando um microfone na mão direita. Atrás dele, há uma grande tela de LED.

Dr. Tiago Dias da Silva (Juiz de Direito do TJCE)

O Dr. Tiago Dias defende que a aplicação de tornozeleiras não deve se limitar a apenas 1% dos casos, pois isso negaria segurança a uma porcentagem muito maior de mulheres em risco.

Da esquerda para a direita: Dr. Sérgio Bautzer, Dr.ª Tânia Regina Silva Reckziegel e Dr. Tiago Dias da Silva. Foto: STM

Encerramento destaca cooperação multissetorial e foco na mudança de comportamento

O encerramento do primeiro dia foi marcado por reflexões sobre a necessidade de ampliar as estratégias de enfrentamento à violência de gênero, com foco na cooperação entre diferentes setores e territórios.

A pesquisadora Michelle de Souza Gomes Hugill destacou a importância de direcionar ações também para os homens, responsáveis pela maioria dos casos de violência, defendendo a criação de estratégias voltadas à mudança de comportamento.

Dr.ª Michelle de Souza Gomes Hugill (Servidora do TJSC, requisitada para atuar no CNJ). Foto: STM

 

A especialista Victória Pedro Corrêa (Coordenadora do Comitê de Gênero, Raça, Diversidade e Inclusão da Itaipu Binacional)  abordou os desafios de atuação em regiões de fronteira, ressaltando a necessidade de integração entre diferentes instituições e setores da sociedade.

Dr.ª Victória Pedro Corrêa (Coordenadora do Comitê de Gênero, Raça, Diversidade e Inclusão da Itaipu Binacional). Foto: STM

Já a Secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, enfatizou a importância do acolhimento humanizado e da atuação intersetorial, debatendo iniciativas como grupos reflexivos para homens agressores como caminhos promissores para a redução da reincidência.

Dr.ª Sheila de Carvalho (Secretária Nacional de Acesso à Justiça). Foto: STM

 

Dr. José Macêdo, Dr.ª Sheila de Carvalho, Dr.ª Victória Pedro Corrêa e Dr.ª Michelle de Souza Gomes Hugill. Foto: STM

Galeria: 1º dia do III CIVIGE

Assista às palestras do primeiro dia

Todas as palestras do primeiro dia do III CIVIGE estão disponíveis no canal oficial do STM no YouTube:

🔗 STM ao vivo: III Congresso de Internacional sobre Violência de Gênero – 16/03/2026

Autor

Laboratório de Pesquisa em Ciência de Dados na Universidade Federal do Ceará